sexta-feira, 30 de julho de 2010

"Acorrentados" - Paulo Mendes Campos


Quem coleciona selos para o filho do amigo; quem acorda de madrugada e estremece no desgosto de si mesmo ao lembrar que há muitos anos feriu a quem amava; quem chora no cinema ao ver o reencontro de pai e filho; quem segura sem temor uma lagartixa e lhe faz com os dedos uma carícia; quem se detém no caminho para ver melhor a flor silvestre; quem se ri das próprias rugas; quem decide aplicar-se ao estudo de uma língua morta depois de um fracasso sentimental; quem procura na cidade os traços da cidade que passou; quem se deixa tocar pelo símbolo da porta fechada; quem costura roupa para os lázaros; quem envia bonecas às filhas dos lázaros; quem diz a uma visita pouco familiar: Meu pai só gostava desta cadeira; quem manda livros aos presidiários; quem se comove ao ver passar de cabeça branca aquele ou aquela, mestre ou mestra, que foi a fera do colégio; quem escolhe na venda verdura fresca para o canário; quem se lembra todos os dias do amigo morto; quem jamais negligencia os ritos da amizade; quem guarda, se lhe deram de presente, o isqueiro que não mais funciona; quem, não tendo o hábito de beber, liga o telefone internacional no segundo uísque a fim de conversar com amigo ou amiga; quem coleciona pedras, garrafas e galhos ressequidos; quem passa mais de dez minutos a fazer mágicas para as crianças; quem guarda as cartas do noivado com uma fita; quem sabe construir uma boa fogueira; quem entra em delicado transe diante dos velhos troncos, dos musgos e dos liquens; quem procura decifrar no desenho da madeira o hieróglifo da existência; quem não se acanha de achar o pôr-do-sol uma perfeição; quem se desata em sorriso à visão de uma cascata ; quem leva a sério os transatlânticos que passam; quem visita sozinho os lugares onde já foi feliz ou infeliz; quem de repente liberta os pássaros do viveiro; quem sente pena da pessoa amada e não sabe explicar o motivo; quem julga adivinhar o pensamento do cavalo; todos eles são presidiários da ternura e andarão por toda a parte acorrentados, atados aos pequenos amores da armadilha terrestre.


Texto extraído do livro "
O Anjo Bêbado", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1969, pág. 105.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

"Deixa que digam, que pensem, que falem"



Achei uma definição de amizade super bem elaborada, em pleno "Lições Preliminares de Direito:


"Ora, a amizade signifca a dedicação de um ser humano a outro, sem qualquer interesse, com sentido de permanência, de perenidade.A amizade não é relação fortuita, nem ligação ocasional.Constitui-se como laço permanente de dedicação"

"Sangrei sozinha, entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Descobri que é sempre só vc que me entende do início ao fim"

segunda-feira, 12 de julho de 2010

"O que eu tenho não me pertence

Embora faça parte de mim.

Tudo o que sou me foi um dia emprestado pelo Criador, para que eu possa dividir com aqueles que entram na minha vida.


Ninguém cruza nosso caminho por acaso
e nós não entramos na vida de alguém sem nenhuma razão.

Há muito o que dar e o que receber.
Há muito o que aprender, com experiências boas ou negativas.


É isso... Tente ver as coisas negativas que acontecem com você como algo que acontece por uma razão precisa.

E não se lamente pelo ocorrido. Além de não servir de nada reclamar,
isso vai lhe vendar os olhos para continuar seu caminho.


Dê de você mesmo o quanto puder! Quando você se for, a única coisa que vai deixar é a lembrança do que fez aqui.


Seja bom, tente dar sempre o primeiro passo, nunca negue uma ajuda ao seu alcance.

Perdoe e dê de você mesmo.

Seja uma benção!


Deus não vem em pessoa para abençoar.

Ele usa os que estão aqui dispostos a cumprir essa missão.

Todos nós podemos ser anjos.


A eternidade está nas mãos de todos nós.
Viva de maneira que, quando você se for, muito de você ainda
fique naqueles que tiveram a boa ventura de encontrá-lo!!! "


Autor: Chico Xavier
"RECEBE MENOS QUEM MAIS TEM PRA DAR"